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Imobiliário: comprar ou alugar?
O imobiliário transmite o sentimento de que “nunca se perde”.
Portugal é dos países da Europa onde é mais elevada a percentagem de proprietários.
Falta de cultura financeira, desejo de segurança para o futuro, fraca rentabilidade dos produtos financeiros e inexistência do mercado activo de aluguer explicam esse “amor do imobiliário” que se traduz quer pela compra de casa própria, quer pelo investimento em unidades de participação dos Fundos de Investimento Imobiliário.
Com efeito, o imobiliário transmite o sentimento de que “nunca se perde” e que o investimento sempre se valoriza, pelo que a indecisão entre comprar ou alugar é quase automática em favor da compra. Até porque o que se paga de juros ao banco é considerado como um investimento ou um pagamento a si próprio. E não como um custo.
Nos últimos tempos, as execuções via venda em leilão, de hipotecas não liquidadas atempadamente, trouxe a alguns a questão de “se vale a pena comprar”.
Evidentemente que cada caso pressupõe uma resposta que tenha em consideração a situação pessoal do comprador potencial: o preço, a localização do imóvel, o número de filhos, a idade, etc... Quanto a este último aspecto, é de assinalar que em Portugal os jovens optam, frequentemente, pela compra com a ajuda financeira dos pais. O que pressupõe dada a “volatilidade” dos empregos que acreditam na facilidade de revenda. A qual não existe por excesso de oferta. De igual modo, o insuficiente financiamento leva à compra de imóveis na periferia com longos trajectos diários, portanto com perda de qualidade de vida.
Por outro lado, e para poder fazer face aos reembolsos, é habitual a utilização de taxas variáveis indexadas pelo mercado monetário, que tornam o valor do reembolso muito problemático quando a base dessa indexação sobe, como é o caso actualmente.
É evidente que é sempre possível renegociar o empréstimo. Mas existem inúmeros casos em que a renegociação, aumentando desmesuradamente os prazos, atira para idades muito elevadas a liquidação final dos empréstimos. E a “valorização” proveniente da inflação não alivia o esforço financeiro, pois as taxas de juro variáveis são função dessa inflação.
Assim, vale a pena adiar a compra pois sendo a oferta superior à procura, os preços vão-se ajustar inevitavelmente em baixa. ____
José Santos Teixeira, Presidente da Optimize
Fonte: Diário Económico 2008.07.25 00:05
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